Suicídios e tentativas chamam a atenção entre jovens e idosos

Eles têm 15, 20, 25 anos; estão em plena primavera da vida, têm um futuro pela frente, um mundo de possibilidades, mas por alguma razão perderam a vontade de seguir adiante. Não, eles não têm um nome específico, podem se chamar João, Maria, Carina, Pedro ou Paulo. Podem ser nossos filhos, sobrinhos ou seus amigos. O que se sabe ao certo, é que eles estão bem perto de nós, pelo menos é isso que mostram os números.

Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), de Santa Cruz do Sul, de janeiro a setembro deste ano, chama atenção o fato de que, das 67 tentativas de suicídio notificadas pela Vigilância Epidemiológica, 24, ou seja, 35 por cento, tiveram como autores, jovens na faixa entre 15 e 25 anos. Já o fato consumado ocorreu em dois dos 10 casos registrados no mesmo período deste ano.

Com relação ao perfil de quem consegue chegar às vias de fato, os números registrados a partir de 2007, mostram, ano a ano, uma prevalência do sexo masculino e, principalmente, de pessoas acima dos 56 anos de idade. Este ano, dos 13 casos de suicídio, 5 enquadram-se neste perfil. Voltando um pouco mais no tempo, em 2017, das 23 vítimas de suicídio, oito eram do sexo masculino e tinham mais de 56 anos. Os mesmos números foram registrados no ano anterior. Já em 2012 a situação revelou-se alarmante: dos 33 casos de suicídio, 14 tiveram essas características.

Para a psicóloga Marliza Schwingel, coordenadora do Comitê Municipal de Prevenção do Suicídio e Promoção da Vida, organismo que reúne entidades governamentais e não-governamentais, a adolescência e a velhice são dois momentos cruciais na vida de qualquer pessoa. “A questão dos filhos, do trabalho, das mil e uma responsabilidades presentes na vida de quem está na idade adulta atuam como fatores protetivos. O idoso muitas vezes já perdeu essas coisas e o jovem ainda não as construiu. São os dois extremos. Mas são hipóteses, ainda precisamos investigar”, diz ela.

No chamado Setembro Amarelo, mês de combate e prevenção do suicídio, conhecer essa realidade é importante para entender as causas de tamanha tragédia entre pessoas de tão pouca idade e conseguir impedir o surgimento de novos casos. “O suicídio circula por todos os lugares, tanto no meio urbano como no interior. Temos que conhecer os atores, criar uma rede de cuidados e de proteção, mas principalmente falar sobre tudo isso”, observa Marliza. Para ela, a saúde começa pela fala. “Existe o mito de que falar sobre suicídio incentiva o ato. Os mitos precisam ser destruídos. Quando eu falo e posso expressar o que estou sentindo, começa a haver uma mudança interna. Em 70 por cento dos casos, a pessoa que comete suicídio não procurou ajuda. Precisamos ouvir sem julgamento”.

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